O cultivo em ambiente protegido, numa estufa por exemplo, tornou possível a alteração das condições de crescimento e de reprodução das plantas, devido ao facto de se controlarem parcialmente os efeitos adversos do clima.
Nesta perspectiva, é possível haver:
  • colheitas fora de época
  • extensão do período de colheita
  • um maior crescimento das plantas
  • um aumento de produtividade
  • melhoria da qualidade de produção
  • maior rentabilidade económica
  • redução das perdas de nutrientes por lixiviação
  • maior eficiência no controle de doenças e pragas.

Porque é importante o conhecimento técnico?
Para que se otimizem estas situações, é necessário que os agricultores tenham conhecimento dos aspetos culturais e tecnológicos das culturas que exploram e do seu manuseamento em estufa.

Caso não exista este conhecimento ou não haja apoio técnico nesse sentido, a alteração dos fatores edafoclimáticos em vez de ser benéfica pode ser bastante prejudicial e os danos causados por pragas e doenças podem ser de tal maneira severos, que inviabilizem o cultivo. Mas há sempre possibilidade de se aprender mais…

Quais as condições favoráveis ao aparecimento de doenças? 
Se não houver um controle eficaz, as doenças das culturas em estufa, principalmente em agricultura convencional, tendem a tornar-se mais severas porque há condições que propiciam o seu aparecimento, como:
  • ambiente mais favorável ao crescimento vegetativo
  • melhor estado nutricional das plantas
  • melhores condições de irrigação
  • maior densidade de plantas
  • menor luminosidade
  • redução dos ventos/menor arejamento
  • monocultivo.

Assim, é importante que o agricultor tome consciência do potencial que tem ao ter uma estufa, para que possa tirar dela o melhor proveito.
Nesse sentido, deve não só procurar forma de controlar as pragas e doenças das plantas, como também atuar sobre todos os componentes da cadeia produtiva que possam interferir, desde a preparação do solo, às práticas culturais a implementar, à seleção de variedades mais adequadas, à fertirrigação, ….

Dicas para limitar os riscos de doenças na estufa:
Na compra
Inspecione bem as plantas antes de comprar. Rejeite as que estiverem fracas ou que apresentem sintomas de pragas e doenças.
No cultivo
Nunca cultive dois anos seguidos no mesmo local da estufa, plantas da mesma família, pois o risco de se desenvolverem doenças é maior.
Na rega
Regue na base da planta para evitar os salpicos, pois estes podem transmitir esporos patogénicos e contaminar as plantas sãs. Reduza as regas no tempo húmido.


Se detetar alguma praga ou doença na sua estufa, tem a app OpenPD que o apoia na sua identificação.
Descarregue de forma fácil e gratuita esta aplicação para telemóveis em https://goo.gl/L6baP6.
Saiba mais em: http://www.openpd.eu/pt/inicio/.

Fontes:
Guia Verde das Hortas e Jardins; Ed. DecoProteste (1999)

Se não estivermos a pensar em culturas hidropónicas, o solo é o elemento base da agricultura.
Por isso mesmo, é ao solo que se confia a tarefa de nutrir as plantas e de dosear os diferentes minerais necessários a um crescimento saudável e equilibrado.
Assim, é importante conhecer a natureza do solo, para que se possa melhorar a sua produtividade e corrigir os seus defeitos, de modo que as culturas se possam desenvolver corretamente.
A forma mais segura para se obter esta informação é fazendo uma análise de terra cujo relatório deve conter no mínimo:
  • as proporções de argila, limo e areia (textura do solo)
  • a taxa de calcário total
  • a taxa de matéria orgânica (húmus)
  • o pH (medida da acidez do solo)
  • as taxas de fósforo, potássio e magnésio assimiláveis.

Como colher uma amostra de solo?

É simples! Siga as instruções presentes na imagem e depois é só enviar para o laboratório que lhe dê melhores garantias de prestação de serviço.

Mas, mesmo sem recorrer a uma análise, pode saber muito da realidade do solo da sua exploração.
Como? Ora veja:
  • observando o solo – a cor, o toque, a sonoridade, …
  • consultando uma carta geológica de escala 1:25.000 – que lhe dá informação sobre a natureza do solo
  • observando a flora espontânea da horta e arredores – existem plantas indicadoras que estão mais ou menos presentes em determinados tipos de solo
  • observando o comportamento das culturas – estão viçosas, têm muitas folhas, frutos, estão murchas, etc.

Também existe um teste muito simples, que pode efetuar, para saber com que tipo de solo está a trabalhar.
No quadro seguinte, confira a explicação sobre o que fazer e como para chegar a alguma conclusão.

Pode o solo influenciar a resistência das plantas?
A capacidade de uma cultura agrícola resistir ou tolerar pragas e doenças está muito associada às propriedades físicas, químicas e, mais particularmente, biológicas do solo. Práticas agrícolas que causem instabilidade nutricional podem reduzir a resistência das plantas. Por outro lado, solos com elevados teores de matéria orgânica e alta atividade biológica apresentam boa fertilidade, bem como complexas redes tróficas e organismos benéficos que previnem os ataques e as infeções.
Esta situação é bem evidente quando falamos de agricultura em Modo de Produção Biológico (MPB), dado que práticas culturais como:
  • o uso de rotações de culturas
  • a preservação de insetos auxiliares benéficos (pela ausência de utilização de produtos químicos de síntese)
  • o incremento natural da fertilidade do solo

são fatores que têm impacto substancial na dinâmica de pragas e doenças das plantas.


    Estudos realizados por cientistas do USDA (Beltsville Agricultural Research Center in Maryland) em cultura de tomate – 1) cultivo em MPB com solo coberto com residuos de ervilhaca (Vicia villosa) vs 2) cultivo em modo convencional com solo coberto com plástico preto de polietileno, permitiram em comparação constatar que, no caso 1):
    • houve uma melhor utilização e mobilização de C e N;
    • notou-se um atraso da senescência das folhas;
    • a erosão do solo e a perda de nutrientes foi mínima;
    • houve um aumento da infiltração de água e menos perdas por escoamento;
    • houve uma interação “natural” entre praga e predador;
    • o que ajudou a promover a defesa contra doenças e fez aumentar a longevidade das culturas.

    O lema é: solo saudável, plantas saudáveis!


    Caso surjam algumas pragas e doenças, descarregue já aplicação OpenPD de forma gratuita em https://goo.gl/O2Nw5G para o(a) apoiar na identificação.
    Se tiver alguma dúvida, outros agricultores, técnicos e até académicos podem ajudá-lo com algumas informações/dicas importantes.

    Fontes:
    “Guia verde das hortas e jardins”; Deco Proteste, 1ª Edição (1999)
    Controle biológico de pragas através de manejo de agroecossistemas; M. Altieri, C. Nicholls e L. Ponti (2007) 

    A escolha das plantas para colocar na sua horta ou pomar, deve obedecer a alguma regras e é um dos passos cruciais para que no futuro, se evitem ou atenuem problemas relacionados com pragas e doenças.
    Pense sempre nas condições em que as plantas se vão desenvolver – tipo de solo, zona mais solarenga ou sombria, com ou sem rega, em estufa ou ao ar livre, em zonas de geada, …, para fazer a escolha da variedade que melhor se irá adaptar a essa situação e lhe trazer maior rendimento.

    E quais as mais resistentes?


    No quadro seguinte, estão identificadas algumas das culturas e variedades mais resistentes (ou que apresentam menor sensibilidade) a determinada praga ou doença.


    Utilizar variedades mais resistentes deve fazer parte das regras de gestão da sua exploração, pois embora possam ser ligeiramente mais caras, são a garantia de um menor ataque se algum problema vier a existir.

    Dica: Uma vez que as variedades estão sempre a mudar face aos avanços da ciência, aconselha-se a consulta de catálogos com a seleção de espécies mais atualizada.



    E com esta informação, só pode obter boas colheitas!

    Esteja atento ao site do OpenPD http://www.openpd.eu/pt/inicio/ onde pode descarregar a aplicação para telemóveis que lhe pode dar uma ajuda, no que toca à identificação de pragas e doenças das plantas.

    Fontes:
    A horta e o jardim biológicos; Pears, P. e Stickland, S.; Colecção Euroagro; 2006

    As plantas são hospedeiras de parasitas de diversos tipos. Mas os três grandes grupos com quais os agricultores se devem preocupar são os que se apresentam no quadro seguinte.

    Tipo de parasita
    Modo de atuação
    O que fazer?



    Bactérias e vírus
    Introduzem-se nas células produzindo alterações do metabolismo com o inevitável enfraquecimento da planta até à sua morte. As bacterioses e viroses são difíceis de tratar e até de diagnosticar, dado que ainda não há muitos tratamentos específicos e os seus sintomas se confundem muitas vezes com carências minerais, acidentes fisiológicos provocados pelo clima ou toxicidade de produtos fitossanitários.
    Usar medidas profiláticas:
    - arrancar e queimar plantas contaminadas;
    - evitar o contágio de plantas sãs, desinfetando as ferramentas de poda.

    Dica: consultar um fitopatologista se detetar sintomas não atribuíveis a agentes conhecidos.
    Fungos
    Desenvolvem-se, geralmente, no interior das plantas entre as células, emitindo hifas que absorvem os seus nutrientes. Por este motivo, depois de iniciado o ataque a luta é mais difícil.  
    Usar medidas preventivas:
    - pulverizações periódicas com fungicidas quando se reúnem as condições de temperatura e humidade favoráveis ao ataque.

    Dica: o oídio é um dos casos em que o fungo se desenvolve sobre as folhas e em que é possível o combate posterior à infeção.
    Pragas
    Diz respeito ao grupo onde se encontram os animais, em geral aves, roedores e artrópodes, principalmente insetos e ácaros, que se alimentam das plantas por mastigação dos tecidos ou sucção da seiva.
    Os processos de combate podem ser preventivos ou curativos:

    Preventivos –  essencialmente para pragas que atacam flores ou frutos, pois os estragos levam à improdutividade ou desvalorização do produto.

    Curativos – atuam sobre a praga, quando esta já está instalada.


    Mas como atuam os inseticidas e acaricidas?


    Existem diferentes possibilidades de combate às pragas, considerando o tipo de produto:
    • o de contato, que atua criando uma barreira tóxica sobre os órgãos das plantas, causando a morte das pragas, essencialmente por contato direto com o produto, por ingestão ou inalação de vapores;
    • o sistémico, que se introduz na planta e se espalha pelos seus tecidos, levando à morte do parasita essencialmente por ingestão;
    • o que atua tendo em conta a fase do ciclo de vida do parasita, atuando especificamente contra ovos, larvas, etc;
    • o polivalente, que atua sobre muitas espécies (é desaconselhado pois atua sobre a praga e sobre todos os auxiliares que combatem de forma natural essa mesma praga, podendo causar uma rutura no equilíbrio biológico e levar a que a praga volte a atacar ainda com mais intensidade);
    • o específico, que só ataca certas espécies (é um dos tipos de produtos aconselhado, pois sendo seletivo na espécie, não ataca os auxiliares).


    Independentemente do produto que escolher, tenha sempre em conta que as próprias pragas são úteis, no sentido em que fazem parte dum complexo equilíbrio entre as espécies, em que umas servem de alimento às outras.
    Não deve pretender a destruição total da praga, mas a manutenção da mesma num nível economicamente tolerável.

    Se encontrou algum destes parasitas na sua parcela ou tem dúvidas, consulte a comunidade OpenPD, que apoia a identificação de pragas e doenças das plantas.
    Descarregue a aplicação de forma gratuita aqui: https://goo.gl/oIs1bV e visite o nosso site em  http://www.openpd.eu/.

    Fontes:
    Fruticultura geral, Cerqueira J., Biblioteca Agrícola Litexa, 3ª Ed.


    Nos últimos 2-3 anos, tem-se assistido a um aumento da área de cultivo de frutos exóticos em Portugal (abacate, manga, feijoa, lima, …). Entre eles, encontra-se o maracujá roxo (Passiflora edulis), um fruto subtropical que se adaptou bem às condições edafoclimáticas do nosso país – é tolerante ao frio (no máximo, entre 0ºC e -4 ºC) e à geada, preferindo locais com:
    -  solos argilosos e pH ácido (entre os 6 e os 7,5);
    - zonas de altitude;
    - verões não muito quentes.

    Fruto atrativo em vários sentidos… 

    O maracujá é um fruto arredondado (com peso médio entre os 60 e os 150 gr), que apresenta uma casca grossa de cor arroxeada quando maduro, caracterizado por ter maior percentagem de açúcares e maior teor de sólidos solúveis (brix) que lhe confere um sabor mais doce, pode ter ainda maior ou menor acidez de acordo com a variedade. 

    Sendo consumido essencialmente em fresco, isto permite ao agricultor:
    • negociar um melhor preço de mercado (que pode variar entre os 5€ e os 10€/kg);
    • maior facilidade de escoamento, sem ter que recorrer a grandes investimentos, quer no armazenamento quer na questão de frio.

    Embora a região autónoma da Madeira lidere a produção nacional, já existem pomares explorados a nível industrial no Algarve e no Vimeiro, existe uma plantação em plena produção em abrigo (cerca de 1000 m2 em estufa). Também na região de Braga e Viana do Castelo se fizeram ensaios para esta espécie frutícola. Em Sever do Vouga (até agora a “capital do mirtilo”), foram feitas as primeiras plantações de maracujazeiros em 2014, estando prevista uma área de instalação que rondará os 40 ha e cuja produção média estará entre as 10 a 15 ton/ha.

    Mas as produções podem ser mais elevadas (até cerca de 30 ton/ha), se forem usadas variedades melhoradas de origem brasileira ou australiana. 

    Atenção… às principais pragas e doenças!

    Por ser uma cultura recente em Portugal, o maracujazeiro não regista grandes ameaças.  Além disso, sendo uma planta com um ciclo produtivo de cerca de 3 anos, exige não só a necessidade de renovação de plantas como também um conveniente planeamento de rotação de culturas, p. ex: de 6 em 6 anos (com amoras), para evitar o aparecimento de doenças.

    Um dos aspetos que pode causar maior preocupação para já, tem a ver com a polinização, pelo facto de a flor só estar recetiva apenas durante um dia e exigir a presença de elevado número de abelhões (Bombus spp.). Assim, aconselha-se a que a presença destes insetos seja reforçada na plantação, com a instalação de colmeias. Caso seja necessário, e para que se possa atingir o máximo potencial produtivo, pode-se recorrer à polinização manual.
    É de salientar que a abelha doméstica (Apis melífera), pode ser um problema para a polinização em caso de falta de abelhões, pois além de não realizar esta tarefa “rouba” grande quantidade de pólen.

    Noutros países, onde o cultivo já é bastante intensivo, as pragas mais comuns são:

    Pulgões
    Pequenos insetos, que são os responsáveis pela transmissão de uma doença conhecida como o vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro. As plantas que apresentarem os sintomas desta virose devem ser arrancadas imediatamente.
    Existem algumas espécies que são atrativas e servem de plantas hospedeiras aos pulgões, como p. ex: o pepino, a melancia, a abóbora, o melão, a ervilha e o tomate, pelo que o seu cultivo deve ser evitado nas imediações do pomar.

    Percevejos
    Esses insetos sugam a seiva de todas as partes da planta, resultando na queda de botões florais e de frutos novos, além de levarem ao emurchecimento de frutos mais desenvolvidos. O controlo desta praga deve ser feito inicialmente por métodos culturais: roçar as infestantes no pomar, eliminar as ervas hospedeiras. Se mesmo assim a praga persistir, deve-se passar ao controlo químico, por meio de pulverizações.

    Lagartas
    As lagartas atacam o pomar no período seco do ano, que vai de junho a agosto, principalmente as folhas novas. Em plantas jovens, os prejuízos podem ser ainda maiores, pois as lagartas podem causar desfolha total, levando as plantas à morte, em casos de ataques sucessivos. O controle deve ser feito por meio de pulverizações com inseticidas.

    Quanto às doenças, elas podem ser causadas por fungos, vírus e bactérias, essencialmente. Mas a intensidade dos danos dependerá das condições climáticas e culturais. As principais são estas:

    Tombamento
    Este sinal de que algo não está bem com a cultura, é causado por fungos e caracteriza-se por uma lesão entre as raízes e o caule da planta, que acaba por provocar o tombamento e a morte da mesma. O aparecimento da doença é favorecido pelo excesso de água na sementeira, excesso de sombreamento e o uso do solo já contaminado. Para o controlo, indica-se fazer as sementeiras de forma correta.  

    Antracnose
    Esta doença ataca normalmente quando a temperatura e a humidade do ar são altas. É uma doença causada por fungos e o seu ataque pode ser percebido quando surgem manchas circulares relativamente grandes, com aspeto aquoso, localizadas na zona foliar. Como consequência da doença, ocorre uma intensa desfolha da planta e os ramos ficam com manchas descoloridas.

    Verrugose
    É causada por fungos que atacam as folhas, os ramos e os frutos do maracujazeiro. A doença tem maior incidência em períodos de temperaturas amenas. Causa manchas circulares nas folhas, principalmente nas mais novas, que depois sofrem necrose e caem. Os ramos, as gavinhas e os frutos apresentam lesões circulares, translúcidas, que depois se cobrem de tecido corticoso, áspero e saliente, de cor parda, com aspeto de “verrugas”.

    Tem dúvidas sobre como identificar pragas e doenças no geral?
    Descarregue a app “OpenPD” gratuitamente em https://goo.gl/S9REhW, explore-a até encontrar o “Forum” onde pode expor as suas questões.
    Simples e rápido!

    Fontes:
    https://goo.gl/veNHrI
    https://goo.gl/RpzL6l
    https://goo.gl/Sd1iLg