No dia-a-dia, deparamo-nos com siglas das quais nem sempre sabemos o significado, a origem ou intenção pela qual foram criadas.

Para o caso dos produtos agro-alimentares, e dada a grande variedade existente nas diferentes regiões europeias, a Comunidade Europeia criou em 1992, sistemas de protecção e de valorização dos mesmos, podendo os produtos ser certificados como DOP, IGP e ETG (ver quadro abaixo).

Esta tomada de consciência, constituiu um elemento fundamental da identidade cultural da EU.



Uma vez que a lista da legislação que enquadra esta temática é extensa, indicam-se a seguir, os principais regulamentos:
  • Regulamento (UE) n.º 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de novembro, relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios;
  • Reg. de Execução (UE) N.º 668/2014 da Comissão, de 13 de junho de 2014, estabelece regras de aplicação do Regulamento (UE) n.º 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios;
  • Reg. Delegado (UE) N.º 664/2014 da Comissão, de 18 de dezembro de 2013, completa o Regulamento (UE) n.º 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho no que diz respeito ao estabelecimento dos símbolos da União para as denominações de origem protegidas, as indicações geográficas protegidas e as especialidades tradicionais garantidas;
  • Rotulagem de géneros alimentícios com ingredientes DOP/IGP;
  • Despacho Normativo n.º 9/2015, de 11 de junho, revoga o Despacho Normativo n.º 38/2008, de 4 de julho, e estabelece os procedimentos para o reconhecimento dos alimentos com características tradicionais e com métodos de produção tradicional.

Com estas designações, pretende-se evitar que os produtos europeus com reputação:
  • enfrentem no mercado produtos copiados;
  • sejam alvo de uma utilização indevida do seu nome;
  • sofram uma concorrência desleal (que pode desencorajar os produtores e pode também induzir o consumidor em erro).

Estes sistemas, permitem assim o desenvolvimento e a proteção dos produtos agro-alimentares que, pelas suas características e tradições, são considerados únicos.
Entre as medidas previstas destacam-se: os incentivos à produção agrícola, a proteção dos nomes dos produtos contra imitações e utilizações indevidas e o apoio à informação dos consumidores, fornecendo-lhes dados relativos às características específicas destes produtos.

No nosso blog: http://blog.openpd.eu/ encontra sempre artigos de interesse sobre agricultura e temas afins.
Ali, pode também descarregar gratuitamente a aplicação para telemóveis OPenPD, que apoia a identificação de pragas e doenças das plantas.

Fontes:
https://goo.gl/S6p1WE
https://goo.gl/gzHVKt
https://goo.gl/iMzi9s
https://goo.gl/e7RY5c
https://goo.gl/4WKq6n


Com a mudança de mentalidades, em que está desperto um maior interesse pelo ambiente e pela ecologia, surgem novos princípios de desenho e concepção de jardins, que permitem transformar um lugar inóspito num(a):
  • zona verde agradável;
  • área estratificada e colorida;
  • espaço com diferentes aromas, texturas, tipos de floração e frutificação;
  • refúgio onde a fauna local tem possibilidade de se desenvolver e onde há produção de alimento para a suportar;
  • área onde se fomenta a biodiversidade.

Aqui, as estações do ano são reveladas pelo estado de desenvolvimento dos vários estratos, e as épocas de floração e frutificação são distribuídas ao longo do ano, o que dota cada lugar de uma qualidade cénica única.

Esta é uma forma excelente de criar uma envolvente natural, em contraposição à paisagem comum, baseada num modelo de domínio do meio, com predomínio de vegetação exótica.

Há assim, um ressurgimento da concepção de espaços verdes fundamentada em modelos que são menos prejudiciais para os recursos naturais, sendo a escolha do elenco vegetal centrada em espécies autóctones ou mediterrâneas. A sua integração na paisagem é equilibrada e surge em continuidade com a sua envolvente.
No quadro abaixo, podemos encontrar algumas espécies autóctones de diferentes portes (arbóreo, arbustivo e herbáceo), que são valiosas como plantas ornamentais pela diversidade de cores, formas, texturas, cheiros e floração prolongada, que podem ser utilizadas quer em jardins formais quer informais. Além de que, algumas podem também ser utilizadas como condimentares ou na preparação de infusões aplicadas a terapias diversas.




Existe ainda um outro tipo de plantas, designadas tapizantes (ver quadro a seguir), porque à medida que crescem vão formando um tapete que cobre o solo:
  • o que permite uma menor erosão pelo vento e pela chuva;
  • o que dificulta a proliferação das infestantes, porque ficam mais privadas de luz, de água e de nutrientes (dada a competição entre as espécies).

O tempo de que estas plantas necessitam para cobrir o solo depende da espécie, do seu vigor, do compasso e das características do jardim. Estas plantas necessitam de, cerca de um ano, para cobrirem o solo. Neste intervalo de tempo é necessário continuar a arrancar as infestantes. Mas posteriormente, a cobertura sobre o solo diminui este trabalho.

Tem dúvidas sobre pragas e doenças das plantas?
Descarregue de forma gratuita aplicação OPenPD, na Google Play Store seguindo o link: https://goo.gl/UZMG5W


Fontes:
https://goo.gl/xyy3yz
Numa espécie de “premonição”, Albert Einstein, exercitou o pensamento de como seria um mundo sem abelhas, e sintetizou-o na seguinte frase:
“Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”  

Assustador, não é?
A verdade, é que nos últimos anos, tem-se notado um declínio cada vez maior dos polinizadores, sendo as abelhas (Apis mellifera), o insecto mais importante neste papel.

Apesar dos estudos feitos pela comunidade científica, que apelidou este desaparecimento como “Desordem do Colapso das Colónias ou Colony Collapse Disorder (CCD)”, até agora não se encontrou uma razão única, estando certos no entanto, que há várias causas que têm contribuído para esta situação e comprovadamente, com grande interdependência entre elas.
Pesticidas
Existe uma classe de pesticidas sistémicos de última geração – os neonicotinóides, que embora tenham pouca expressão em Portugal, são bastante usados na agricultura intensiva em todo o mundo, nomeadamente na União Europeia, onde o seu uso a partir de 2013, foi restringido a três variantes: clotianidina, imidacloprid e tiametoxam.
Estas restrições foram baseadas numa série de avaliações da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), segundo as quais, estes pesticidas são prejudiciais para as abelhas.

Como atuam?
Os neonicotinóides são maioritariamente usados em sementes, sendo absorvidos pela planta quer através das raízes quer das folhas e depois distribuídos pelo sistema vascular por toda a planta, atingindo, o pólen e o néctar das flores.
Ao visitarem as flores, as abelhas são contaminadas com o pesticida, que atua no seu sistema nervoso central, interferindo com a transmissão de estímulos. As abelhas ficam assim desorientadas, o que as impede de voltar às colmeias, além disso, diminui a resistência a doenças bem como a fertilidade.


Desflorestamento, queimadas e fogos
Nas zonas de florestas extensas, como a Amazónia, o desflorestamento tem sido um grave problema, dado que a procura por novas áreas para a expansão das atividades agrícolas e pecuária se tem intensificado. 
Além do prejuízo ambiental causado, com forte impacto no clima e nos biomas, os danos para os polinizadores também são grandes:
  • ao serem derrubadas e queimadas árvores, os ninhos e enxames de abelhas são completamente destruídos;
  • a desflorestação causa a redução da oferta de alimentos às abelhas, e também a redução de áreas de nidificação (se não houver zona específica de colmeias).

Em Portugal, tem-se verificado devido aos fogos, o desaparecimento de muitas colmeias que estão colocadas em áreas florestais, o que tem acarretado graves prejuízos, não só para os apicultores (dado que a produção de mel de eucalipto, urze, multifloral, rosmaninho, ... se reduz substancialmente) mas também para o meio ambiente, pelo desaparecimento destes polinizadores.


Pragas naturais, doenças e vírus
A varroa (Varroa destructor) é a praga que mais afeta as abelhas. Trata-se de um ácaro ectoparasita que ataca os insetos do género Apis nas suas diversos fases (pupas, larvas e indivíduos adultos), levando-os à morte, uma vez que se alimenta dos seus fluídos corporais.
Além disso, a varroa é um veículo de propagação de vírus fatais:
  • iflavirus DWV  - afeta a morfologia das asas das abelhas, que se apresentam deformadas, o que as impede de voar e sair da colmeia para procurar alimento;
  • IAPV  - age ao nível do sistema nervoso da abelha, causando a sua paralisia. É muito temido por ser altamente adaptável e capaz de contaminar rapidamente uma colmeia, e até mesmo, impregnar-se na geleia real.

A vespa-asiática (Vespa velutina) é uma praga recente no nosso país, e apesar de não ser fonte de transmissão de nenhuma doença das abelhas, é essencialmente predadora de outras vespas e de abelhas. Nesse sentido, contribuiu de forma progressiva para o declínio desta população uma vez que que ataca as colmeias (principalmente no verão) e exerce predação direta sobre as abelhas. 


Quer saber mais sobre pragas e doenças das plantas?
Utilize de forma gratuita a app OPenPD, que pode descarregar na Google Play Store, em: https://goo.gl/UZMG5W


O que é o OpenPD?
A identificação de pragas e doenças das culturas é normalmente um processo crítico e lento. O OpenPD é uma aplicação móvel que, no terreno e em tempo real, permite acelerar a identificação de pragas e doenças. É fácil de usar e é baseada numa comunidade aberta de utilizadores.

Como funciona?
  1. Descarregue a app de forma gratuita em https://goo.gl/vq7K1B (Google Play Store) e instale-a no seu telemóvel.
  2. Envie uma foto de boa qualidade, relativa à praga ou doença que encontrou.
  3. Descreva o problema documentado pela fotografia e por observações das condições locais. 
  4. A comunidade oferece ajuda ao utilizador no sentido de identificar a praga ou doença. Esta ajuda pode incluir uma resposta direta, alguma discussão, pedido de mais informação ou solicitando que outros utilizadores se juntem.




OpenPD, sempre perto de si!



Apesar de ser reconhecida a importância dos insectos auxiliares na limitação natural das pragas das culturas, nem sempre se tomam medidas que valorizem a sua acção.
Tradicionalmente, apenas se tem promovido a sua não destruição através de:
  • utilização de pesticidas menos tóxicos para estes organismos;
  • redução das doses e do número de aplicações dos pesticidas;
  • utilização de técnicas de aplicação mais seletivas.

Mas é necessário fazer-se mais!

Nesse sentido, devem ser incrementadas as populações de auxiliares através de: disponibilização de hospedeiros alternativos, alimento suplementar, abrigos e locais de hibernação adequados, …, para que estes organismos encontrem as condições necessárias à sua manutenção e reprodução.

O que é a biodiversidade funcional das explorações?
É a parte da biodiversidade que pode beneficiar diretamente a exploração.

Como se fomenta?
Esta biodiversidade pode ser fomentada através da manutenção ou instalação, nessas explorações, de uma rede de infra-estruturas ecológicas (principalmente comunidades vegetais) que tem um papel fundamental no desenvolvimento da fauna auxiliar e na sua eficaz atuação na limitação natural das pragas das culturas.

Quais os elementos básicos da rede de infra-estruturas ecológicas?
habitats permanentes – têm grande dimensão, por ex: prados e pastagens pouco intensivas, áreas florestadas, áreas ruderais, pomares e olivais tradicionais;

habitats temporários – têm menor dimensão, por ex: pequenos bosques ou manchas de arbustos e árvores, amontoados de pedra ou lenha e charcos;

corredores ecológicos – que favorecem a dispersão das espécies entre os habitats anteriores e incluem estruturas relativamente lineares, como por ex: sebes, faixas de vegetação espontânea, caminhos rurais e linhas de água.


Se houver uma maior abundância e diversidade de auxiliares, no espaço e no tempo, vamos ter ao longo do ciclo cultural, inimigos naturais de diferentes pragas, possibilitando uma mais rápida resposta sempre que se registem aumentos populacionais das últimas. 
Mas o que se pode fazer?
Tipo de infra-estrutura ecológica
Benefícios

Enrelvamento e cobertura vegetal do solo
Que pode ser feito na linha e entrelinha dos pomares, favorece a biodiversidade e a estabilidade do ecossistema; contribui para um melhor balanço hídrico. O seu crescimento deve ser gerido através de cortes efetuados ao longo do ano, por pastagem ou intervenção mecânica, de modo a atenuar a concorrência com a cultura


Faixas de flores silvestres
Constituem corredores ecológicos perenes, com espécies vegetais autóctones, que estabelecem ligação com as culturas arvenses, hortícolas ou pomares e onde se albergam numerosos insetos úteis. Devem ter no mínimo 3m de largura e ser mantidas durante pelo menos seis anos.

Considerando o enrelvamento e as coberturas do solo, sabia que:
  • as técnicas de corte e o tipo de alfaia utilizada têm impacto na quantidade de população de auxiliares, porque provocam a sua morte?
  • se recomenda que os cortes sejam feitos no mínimo 8cm acima do solo, mas preferencialmente entre 10-12cm?
  • usando uma gadanheira de barra horizontal, a mortalidade de percevejos predadores adultos é de 50%, mas se usarmos um destroçador de martelos (eixo horizontal) é de 88%?
  • se tivermos que escolher entre uma gadanheira de barra horizontal, uma capinadeira rotativa (eixo vertical) ou um destroçador de martelos (eixo horizontal) para efetuar um corte, é preferível a primeira alfaia, porque provoca menor mortalidade na fauna auxiliar?



Agora que já sabe um pouco mais, apoie a presença da fauna auxiliar nas suas culturas, promovendo boas práticas na agricultura.

E pode sempre pedir ajuda ao fórum da app OpenPD, após descarregar a mesma de forma gratuita na Google Play Store em https://goo.gl/FAJjRz. Ali vai encontrar um grupo de técnicos, agricultores e outros peritos, que o podem apoiar na identificação de pragas e doenças das plantas.


Fonte:
As Bases da Agricultura Biológica, Tomo I – Produção Vegetal; Ferreira, J. (coordenador); Edições Edibio (2009)