As sebes ou cortinas de abrigo (para alguns autores têm significados distintos) são estruturas compostas por materiais inertes (ex: muros e muretes de pedra solta, esteiras, caniçados, …) e/ou vegetação herbácea, arbustiva e/ou arbórea, disposta em faixa e que têm como função dividir, vedar ou proteger a propriedade em relação à ação do vento e à intrusão de estranhos.



As sebes desempenham também, um importante papel na limitação natural das pragas das culturas.
Se adequadamente estruturadas, para além de facultarem locais de hibernação, abrigo contra as altas temperaturas de verão, refúgio adequado aquando da realização de tratamentos fitossanitários às culturas, e hospedeiros alternativos, podem ainda fornecer flores aos auxiliares (servindo de fonte de pólen e néctar, durante 5 a 6 meses). 


Recomendações para incrementar a qualidade ecológica das sebes

Utilizar plantas adaptadas localmente

Cada região tem a sua fauna caraterística e, em especial, os estados imaturos dos insetos estão adaptados à flora local






Utilizar plantas de diferentes alturas, para que a sebe se apresente estratificada

Arbustos de pequena altura (até 3m) – espinheiro (Prunus spinosa), ligustro (Ligustrum sp.), loendro (Nerium oleander), madressilva (Lonicera xylosteum), romãzeira (Punica granatum), silva (Rubus fruticosus)

Arbustos de média altura (até 10m) – aveleira (Coryllus avellanae), corniso (Cornus sanguinea), evónio (Euonymus europaeus), medronheiro (Arbutus unedo), olaia (Cercis siliquastrum)

Trepadeiras – hera (Hedera helix), lúpulo (Humulus lupulus), madressilva (Lonicera peryclemenum)

Árvores – alfarrobeira (Ceratonia síliqua), amieiro (Alnus glutinosa), cerejeira-brava (Prunus avium), freixo (Fraxinus excelsior), loureiro (Laurus nobilis), tília (Tilia spp.)
Dispor as plantas de modo a que a sebe apresente aberturas e bordos irregulares 
Para favorecer a nidificação das aves
Promover o desenvolvimento de faixas de plantas herbáceas, botanicamente diversificadas, adjacentes às sebes
Estas faixas devem ser cortadas apenas uma vez por ano e relativamente tarde, durante o período vegetativo, por forma a incrementarem a disponibilidade de flores para os auxiliares
Empilhar no interior das sebes, as pedras retiradas dos campos adjacentes
Porque constituem habitats valiosos para insetos e répteis



Exemplo prático:
Se tiver um pomar de pereiras com problemas de psila, deveriam ser incluídas na sebe as seguintes espécies – amieiro, freixo, loureiro, olaia e sanguinho-das-sebes.

Se quer saber mais, participe no fórum da app OPenPD, que apoia a identificação de pragas e doenças das plantas. Para isso só tem que descarregar a aplicação em http://blog.openpd.eu/.   


Fonte:
As Bases da Agricultura Biológica, Tomo I – Produção Vegetal; Ferreira, J. (coordenador); Edições Edibio (2009)
Nos últimos anos, o número de pragas e doenças das plantas tem vindo a aumentar, apesar do uso crescente de pesticidas.
Mas porquê?
Existem diversas razões, que a seguir enunciamos, mas a maior responsabilidade é do agricultor, por falta de conhecimento das consequências de algumas práticas agrícolas que utiliza.

Principais causas do aumento de pragas e doenças de plantas
Situações a evitar (exemplos)



Utilização de novas cultivares ou variedades cultivadas mais sensíveis, é um factor de alto risco de perda de produção e da sua qualidade
Macieiras muito sensíveis ao pedrado: Jerseymac, Jonagold, Royal Gala, Mondial Gala, Gala Galaxy;

Oliveiras muito sensíveis à mosca da azeitona: Conserva de Elvas, Cordovil de Castelo Branco, Galega, Maçanilha, Picual, Redondil;

Oliveiras muito sensíveis à gafa: Conserva de Elvas, Cordovil de Castelo Branco, Galega, Redondil.



Simplificação das rotações e monocultura, promove o risco de ataque
Rotações em estufa: tomate-pimento-pepino-melão; temos duas solanáceas (tomate e pimento) com doenças e pragas comuns e a seguir colocamos duas cucurbitáceas em situação semelhante;

Rotações ao ar livre: batata-couve repolho-cenoura-couve brócolo; apesar de haver duas culturas diferentes intercaladas com as couves, há maior risco de ataque de pragas - mosca e a falsa potra, e de doenças – hérnia e potra da couve.
Destruição dos auxiliares, pela toxicidade dos pesticidas
Tratamentos com pesticidas de síntese química.

Fertilização em excesso ou em desequilíbrio
Adubação a mais, em especial com azoto, torna a planta mais vulnerável aos ataques de pragas (principalmente as picadoras-sugadoras como piolhos, cochonilhas e mosquinhas brancas) e doenças.
Utilização de sementes, plantas ou material de enxertia doentes
Comprar estes materiais sem ser em viveiros certificados e que tenham passaporte fitossanitário a acompanhar (mesmo assim, convém ter muita atenção!).


Outras práticas culturais incorretas
Destruição de sebes, muros de pedra e outras zonas de abrigo para auxiliares; eliminação completa de infestantes, pois são fonte de alimento para os insectos úteis e outros auxiliares; abandono no terreno de restos de culturas doentes ou próximo de outras culturas; enterramento de estrumes frescos sem compostagem prévia; colocação de estufas muito fechadas e com pouco arejamento; utilização de compassos de plantação e sementeira muito apertados; …


Principais causas do aumento de pragas e doenças de plantas
Situações a evitar (exemplos)


Resistência aos pesticidas
Aumento de dosagens, pois tem como consequência a ineficácia dos produtos (mesmo os mais tóxicos).
Muitas vezes a praga, além de não ser combatida ainda é favorecida, seja pela influencia directa do pesticida (maiores posturas, maior longevidade), seja pela destruição de auxiliares que, caso não fossem mortos pelo tratamento, ajudariam a combater a praga (Fig. 1)

Fig. 1 – Efeito do acaricida carbaril na fecundidade (posturas) de aranhiço vermelho (Panonychus ulmi) após tratamentos com duas concentrações de pesticida (40 e 80 gramas de substância ativa por 100 litros de água).

Promova boas práticas agrícolas, pela sua saúde, dos seus filhos e do planeta!

E já agora, se tiver dúvidas, descarregue a aplicação para telemóveis OpenPD em http://blog.openpd.eu/ que o apoia na identificação de pragas e doenças das plantas, de forma simples.


Sendo o sol considerado o “astro-rei”, sem o qual as plantas não poderiam viver, esquecemo-nos que existe um outro astro que também exerce influência sobre o planeta terra – a lua!



Desde a antiguidade que os povos conferem grande importância aos ciclos lunares – semear, plantar, colher, podar, fazer enxertias, … são tarefas agrícolas habituais, que sofrem grande influência da lua.
E embora se desconheçam estudos científicos sobre este assunto, o conhecimento empírico tem sido transmitido como tradição de gerações em gerações, porque os resultados foram comprovados pela prática.
A lua passa por quatro fases: quarto minguante, lua nova, quarto crescente e lua cheia, durando cada fase sete dias.

Fases
da lua
O que
favorece
Práticas agrícolas
aconselhadas
Resistência às pragas
Quarto crescente
O crescimento da parte superior da planta
Sementeiras de cereais e flores; enxertias em fenda; plantação de árvores de fruto; corte de madeira para aquecimento; poda de árvores fracas; colheita de plantas medicinais e de hortícolas de raiz e de fruto; preparação do solo com composto e coberturas vegetais (mulch); fase boa para plantação de tomate, feijão, pepino, beringela, abóbora, …
Maior probabilidade de ataque de pragas

Lua cheia
O crescimento dos frutos
Colheita de plantas medicinais e de frutos; plantação de alface, couve-flor, …
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Quarto minguante
Regeneração mais rápida da casca
Iniciar a sementeira e plantação de hortícolas de raiz, tubérculos, rizomas e bolbos (ex: beterraba, cenoura, rabanetes, cebola, batata; sementeira e plantação de vegetais em que se queira refrear o vigor (repolhudas, leguminosas, …) colher raízes e vagens (como a planta tem menos seiva, a cozedura é mais rápida); colher milho e abóboras e outros vegetais para armazenamento; boa época para podar; colher sementes uns dias antes da lua nova
Maior resistência ao caruncho, gorgulho e ataques de outras pragas (brocas e lagartas)
Lua nova
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Sementeiras e plantações de plantas em que se pretende estimular o vigor (principalmente em solos pobres ou secos); plantação de árvores cujo objetivo é a obtenção de madeira
Baixa resistência às praga

De forma simples, podemos considerar as seguintes regras:
  • entre o quarto minguante e a lua nova deve ser plantado tudo o que dá “abaixo do solo” (raízes, tubérculos, rizomas e bolbos comestíveis);
  • entre o quarto crescente e a lua cheia, deve-se plantar tudo o que dá “acima do solo” (folhas, flores e frutos comestíveis).
Os grandes adeptos da agricultura influenciada pelo efeito de forças cósmicas no crescimento das plantas são os biodinamistas, seguidores do método de Agricultura Biodinâmica, cujas bases foram fornecidas pelas teorias e experiências de Rudolf Steiner, em 1924.
Segundo Wolfganag Schaumann: “A Terra está imersa nas esferas planetárias do nosso sistema solar e as forças planetárias marcam, por exemplo, a morfologia das plantas.”
Os praticantes biodinâmicos usam este conhecimento, observando as forças activas em cada momento e escolhendo a altura mais favorável (se o tempo e as condições meteorológicas permitirem) para semear, cultivar ou colher. 



E se além do seu conhecimento, adotar também algumas destas práticas?
Com toda a certeza terá culturas mais vigorosas, produtivas e mais resistentes às pragas…
Se tiver dúvidas pode instalar a app “OpenPD” que apoia a identificação de pragas e doenças das plantas, de forma gratuita e simples.
Descarregue a aplicação em http://blog.openpd.eu/


Fontes:
Guia de Agricultura Biológica, Hortas e Pomares; Thorez Jean-Paul; Livros de Vida, Editores, Lda.(1997)
https://goo.gl/e87jrO
https://goo.gl/bpj1iK
https://goo.gl/KUU9TU
https://goo.gl/5vix3a

Apesar de os portugueses ainda consumirem elevadas quantidades de alimentos dos grupos “carnes, pescado e ovos” e “óleos e gorduras” (a ingestão dos alimentos contidos nestes grupos não deveria ultrapassar os 5% e os 2%, segundo a Roda dos Alimentos), os hábitos alimentares estão a mudar…

Esta é a conclusão que pode ser extraída da Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2012-2016, uma vez que se notou um ligeiro aumento da ingestão de legumes, frutos e leguminosas secas.



É assim necessário apelar mais à dieta mediterrânica, Património Imaterial da Humanidade declarado pela UNESCO, em dezembro de 2013.
De acordo com os dados disponíveis do “Inquérito Nacional de Saúde 2014” verifica-se que, 4,9 milhões de portugueses consumiram, em média, 1,8 porções de legumes ou saladas por dia. E destes, as mulheres consumiam mais do que os homens (60,7% contra 48,8%), assim como, a população de uma faixa etária entre os 55 e 74 anos (60,8%).

Só 37,5% dos jovens entre 15 e 24 anos consumia diariamente legumes ou saladas.

Quanto ao consumo de fruta, o inquérito indica que cerca de 6,3 milhões portugueses (70,8%) ingeriram, em média, 2,3 porções diariamente, sendo este consumo menos frequente entre os jovens (dos 15 aos 24 anos) e mais frequente a partir dos 45 anos.
  
Mas não chega dizer às pessoas que devem ingerir mais legumes, frutos e leguminosas. É preciso apresentar produtos de excelência!

Porque hoje o consumidor está mais exigente, até as grandes cadeias de supermercados já estão atentas a este mudar de mentalidades – consumir menos, com maior variedade e de melhor qualidade, é o lema
E entre produtos de origem biológica, sem glúten, sem adição de açúcares, com menos sal, …, a oferta é grande.
E na base de tudo está aquele que produz, o agricultor, que também tem feito um esforço para obter produtos cada vez mais saborosos, recorrendo a menos químicos de síntese, promovendo a melhoria do meio ambiente e da saúde animal e humana. 

No quadro abaixo veja alguns dos produtos que começam a estar mais presentes nos pratos dos portugueses:

Produto
Nome científico
Benefícios p/ a saúde
Como escolher
Sugestão de uso
Abóbora manteiga
Cucurbita L.
Rica em vitaminas E, C e complexo B. Fornece fibras, potássio, ferro e cálcio. As suas características ajudam no combate ao cancro e ajudam à imunidade do corpo
Dê preferência as menores, com casca lisa e sem brilho
Em pratos quentes, cozida com casca e desfeita em puré. Salteada, estufada,… Para doces e bolos. Também é possível assar as sementes e consumi-las como aperitivo.
Curgete
Cucurbita pepo L.
Fonte de betacaroteno, vitamina C, ferro e cálcio. Além disso, tem uma casca rica em fibras e possui poucas calorias porque é composta de muito líquido. Indicada para hidratar o corpo, prevenir a osteoporose, evitar pressão alta e os problemas cardiovasculares.
Evite comprar as que estão rachadas e dê preferência às que estão mais brilhantes e rijas.
O ideal é consumir a curgete com a casca e cozinhá-la rapidamente para manter as propriedades. Indicada na preparação de sopas, refogados, pratos gratinados, saladas e suflês.

Batata doce
Ipomoea batatas
Rica em hidratos de carbono,  em vitamina A e C.
Evite as que forem muito retorcidas (por ser mais prático o corte) e as que tiverem polpa muito escura e zonas moles.
Usada para gratinar, saltear, para fazer puré, pães, bolos e doces de colher.
Beringela
Solanum melongena
Contém ferro, fósforo e manganês (indicado para as mulheres).
Deve ter um roxo intenso e brilhante evitando as que estiverem amassadas.
Pode ser recheada e feita no forno, salteada com outros legumes, cozida à vapor, …
Beterraba
Beta vulgaris L.
Rica em ferro e açúcares naturais.
Previne problemas do coração, o envelhecimento precoce. E tem grande poder antioxidante.
Escolha beterrabas mais pequenas (são mais saborosas), firmes e com as cascas mais lisa.
Usada em purés, sopa, salada, salteada com outros legumes, sumos,  …
Gengibre
Zingiber officinale
Usado para combater enjoos, tonturas, constipações e gripes.
Dê preferência ao gengibre maduro e liso.
Pode ser consumido seco, fresco, em conserva e em pó. Se guardar o gengibre fora do frigorífico, prefira um local fresco, se for dentro, evite os locais mais húmidos.
Usado em sopas, chás, bolos, …

Quando se fala em agricultura surge sempre o tema das pragas e doenças das plantas, como um dos grandes desafios a enfrentar.
Se tiver dúvidas, a aplicação para telemóveis OpenPD pode dar-lhe uma primeira ajuda, de forma simples e rápida, na identificação das mesmas.
Descarregue a app de forma gratuita em http://blog.openpd.eu/


Fontes:
https://goo.gl/35fjhN
https://goo.gl/oGaKxi
https://goo.gl/i6iI4M
https://goo.gl/XdzuWk
https://goo.gl/hjXcXV
https://goo.gl/2jp5vu