COP 21 e o Futuro da Agricultura – Como as alterações climáticas estão a mudar a Agricultura


Após duas semanas de negociações entre os líderes mundiais na Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP 21), e de algum impasse nos acordos, que levou inclusive a um adiamento do fim da COP 21, os decisores políticos chegaram a um consenso: limitar a subida da temperatura a 1,5 °C, em relação à era pré-industrial. Este acordo envolve, pela primeira vez, todos os países na luta contra o aquecimento global e as alterações climáticas. A grande maioria dos líderes mundiais congratulou-se pelo acordo que apelidaram de “histórico”, enquanto associações de ambientalistas e outras ONG’s acham que o acordo ficou aquém das expectativas e não estabelece medidas e acções concretas, para se atingirem os objectivos propostos.


    Tal como todos os sectores da actividade humana, a agricultura, também tema de discussão durante a COP 21, tem sido afectada pelas alterações climáticas e tem levado a que os intervenientes neste sector se tenham de adaptar a este novo paradigma. Com a desertificação crescente do planeta, a crescente escassez de água doce para a agricultura, têm surgido nos últimos anos, empresas, como a Seawater Greenhouse ou Sundrop Farms, a apostar em projectos ambientalmente mais sustentáveis com recurso a tecnologias que utilizam quase exclusivamente energias renováveis para o funcionamento de explorações e produção de alimento em estufa, e dessalinização de água dos oceanos para utilização na rega das culturas. Embora se tratem de projectos com investimentos iniciais avultados, o uso destas tecnologias permite baixar custos com energia, criar abundância em termos de recursos hídricos e aumentar o controlo sobre as condições de temperatura e humidade dentro das estufas. Um melhor controlo das condições ambientais das estufas permite também um melhor controlo, monitorização e redução do aparecimento de pragas e doenças, podendo-se traduzir numa redução da aplicação de produtos fitofarmacêuticos e potenciar a utilização de organismos auxiliares para o combate de pragas.  


                                Fonte: www.seawatergreenhouse.com

O controlo da população de pragas é essencial para diminuir a aplicação de pesticidas, uma vez que acima de certo nível de ataque, a luta biológica deixa de ser tão eficiente e economicamente aconselhável, passando a luta química a ser mais vantajosa. O crescimento das comunidades digitais de partilha de conhecimento e informação começa também a fazer sentir-se no sector agrícola, com o aparecimento de plataformas e bases de dados, sobre doenças, pragas e carências nutritivas de culturas agrícolas, como OpenPD (www.openpd.eu), AgriApp ou VegPestID, que permitem uma maior proximidade entre os intervenientes do sector, e incrementar a rapidez de decisão de produtores e consultores, de forma a potenciar ganhos económicos, mas também para o meio ambiente.


                           Fonte: www.openpd.eu

 Não existem dúvidas quanto à influência e o impacto que as alterações climáticas terão no futuro da Agricultura, no entanto, poderá ver-se o copo meio cheio se se utilizar o conhecimento e o desenvolvimento tecnológico como um meio para a adaptação e combate as alterações climáticas, duma forma económica e ambientalmente sustentáveis.

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