Nemátodo da Madeira do Pinheiro, o que sabe sobre isto?

 Se falarmos em Bursaphelenchus xylophilus poucos sabem do que se trata, se é uma praga, uma doença e que danos pode causar. Mas se mencionarmos Nemátodo da Madeira do Pinheiro (NMP), a maioria sabe que os danos causados são elevados.

Assim, é importante perceber quem é este ser microscópico, que causa a Doença da Murchidão dos Pinheiros (principalmente pinheiro bravo e pinheiro manso) e de outras resinosas (cedros, abetos, píceas, ...) como actua e como se pode combater.


A proliferação deste nemátodo só é possível em Portugal através da presença de um insecto-vector, o longicórnio do pinheiro (Monochamus galloprovinciallis), pelo que a sua dispersão está limitada ao período de voo deste insecto (geralmente de  Abril a Outubro).


Existem três etapas fundamentais neste processo: a entrada do NMP no corpo do insecto, o transporte pelo insecto e a transmissão para uma nova árvore.


Como é que isto acontece?
No final da Primavera os nemátodos entram no corpo dos insectos adultos recém-formados e alojam-se no seu sistema respiratório, sendo transportados enquanto o insecto se dispersa através do voo em busca de um novo hospedeiro.
Quando o insecto se alimenta na casca dos raminhos de árvores saudáveis, ocorre a transmissão do NMP para uma nova árvore, através das feridas de alimentação.
Este processo é designado por transmissão primária e no nosso país, ocorre principalmente nas primeiras seis semanas após a emergência dos insectos adultos.
Embora menos frequente em Portugal, pode também ocorrer transmissão do NMP pela actividade de postura das fêmeas, denominado transmissão secundária, mas que pelo facto de ocorrer em árvores enfraquecidas ou mortas não origina a morte de novas árvores.

O NMP, distribui-se por toda a árvore alojando-se nos canais de resina, provocando a destruição das células com consequente bloqueio do transporte de nutrientes. Por esta razão, os sintomas principais são:
- amarelecimento e murchidão das agulhas (que permanecem na árvore muito tempo sem cair);
- diminuição da produção de resina;
- existência de ramos secos e mais quebradiços do que o habitual.

A árvore atacada começa a apresentar uma copa cada vez mais seca e o seu declínio é evidente – este processo pode ir de algumas semanas a vários meses, até que o exemplar acaba por morrer.

Uma vez que este diagnóstico visual é comum a outras pragas e doenças, problemas nutricionais, seca, ..., só é possível haver certeza da existência do NMP, efectuando uma análise laboratorial das amostras de madeira tiradas às árvores com sintomas.

 Que medidas tomar?
A prevenção, que pode ser feita através da aplicação de uma micro-injecção de produtos químicos em árvores saudáveis, cinge-se a pequenas áreas como parques e jardins onde existem árvores de porte monumental com valor paisagístico ou pequenos povoamentos que tenham valor comercial, dado não só o elevado custo que lhe está associado como também, os efeitos negativos relacionados com problemas de poluição ambiental.

Sempre que se confirme a presença do NMP, há que:
-  efectuar o abate de todas as árvores atacadas (as que já morreram e as que apresentem sintomas de declínio), promovendo a queima ou o transporte da madeira de forma controlada, até à unidade industrial de tratamento; 
- eliminar todos os resíduos do corte (fazendo estilha inferior a 3 cm ou queimando);
- controlar a população do insecto-vector durante o seu período de voo, por meio de armadilhas.

Sendo um organismo de quarentena da União Europeia, a ocorrência do nemátodo em Portugal levou à implementação de restrições ao transporte e comercialização da madeira e subprodutos, tendo sido criado um Plano de Acção para controlo do NMP, que põe em prática acções de prospecção, monitorização, controlo do vector, erradicação e desenvolvimento de medidas de apoio à investigação científica.

Se tiver dúvidas e antes de actuar contacte a Autoridade Florestal Nacional ou os serviços florestais da sua área de residência (através da Câmara Municipal, Sapadores Florestais, Organizações de Produtores Florestais).

Sabia que, com a aplicação OpenPD tem a possibilidade de solicitar alertas sobre “epidemias potenciais”? Pode descarregar a app e ver mais em http://www.openpd.eu/.


Fontes:


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