Aves que auxiliam na limitação natural das pragas das plantas. Saiba mais…


Em Portugal, existem mais de duzentas espécies de aves, mas não chega à dezena, o número das que causam verdadeiros problemas à agricultura portuguesa. Todas as restantes são úteis ao agricultor…

Sabia que?
  • A primeira vez que se reconheceu o papel das aves insetívoras no equilíbrio natural dos ecossistemas agrários em Portugal, foi em 1894. Quando Gomes Ramalho referiu a importância das mesmas nos montados de azinho, na predação da lagarta-do-sobreiro (Tortrix viridana);
  • A primeira experiência de instalação de ninhos artificiais foi levada a efeito entre dezembro de 1973 e janeiro de 1974, na Mata Nacional de S. Jacinto, em Aveiro, com a instalação de 40 estruturas.


De todas as aves que são úteis ao agricultor, apresentam-se apenas algumas:
  • por terem uma distribuição mais ou menos generalizada no país;
  • por serem mais frequentes no agro-ecossistema;
  • por representarem um género dentro da espécie.

Figura 1 – Águia-de-asa-redonda e mocho-galego

Nome vulgar
Nome científico
Descrição
Habitat
Atividade auxiliar
Como os manter na horta
Águia-de-asa-redonda (Fig. 1)
Buteo buteo
Ave de rapina, cujas asas têm pontas em forma de “dedos” e bico poderoso. Tem um comprimento entre 43 e 50cm e uma envergadura de asas de 100 a 125 cm.
Comum em florestas e bosques, na proximidade de terrenos arados.
Caça em todos os tipos de meios (abertos ou semi-abertos) desde que tenha uma zona de poleiro (árvore grande, poste elétrico, cerca, …).
É uma predadora oportunista, que captura as presas mais abundantes ou mais fáceis de apanhar.
Pode caçar ratos, insetos, lesmas, …
Manter mosaicos de vegetação espontânea (carvalhos, soutos, …).

Fazer a instalação de poleiros artificiais (com 3 a 4 m altura) nas proximidades de terrenos cultivados ou em pousio.

Mocho-galego
(Fig. 1)
Athene noctua
Tem um comprimento de cerca de 23cm. É uma das rapinas mais comuns em Portugal.
Mais ativo ao fim da tarde, altura em que inicia a sua atividade predadora.
Aparece em soutos, olivais e pomares de macieira.

Alimenta-se de insetos de diversas ordens e pequenos mamíferos, podendo também comer caracóis.
Manter árvores velhas e zonas edificadas e em ruínas.
Manter muros com cavidades.
Preservação de sebes que incluam árvores que servem de poleiro.
Pato-real
(Fig. 2)
Anas
platyrhynchos
É o mais comum e maior dos patos, com um comprimento de 56cm. O macho apresenta cabeça verde.
Frequenta arrozais, bem como os canais e rios, junto a campos de milho.
Alimenta-se de vegetais (algumas infestantes) e de animais vários.
Manter os talhões de arroz inundados, após a colheita.
Poupa
(Fig. 2)
Upupa epops
Tem asas arredondadas, com penas pretas e brancas assim com na cauda. Pode atingir cerca de 28cm de comprimento.
Prefere zonas de pomares e hortas, pousios e pastos próximos de bsoques.
Alimenta-se habitualmente no solo, caminhando lentamente à procura de gafanhotos, grilos, escaravelhos, roscas brancas e pequenos moluscos.
Manter mosaicos de vegetação com árvores velhas (por terem troncos ocos).

Pica-pau-verde
(Fig. 2)
Picus viridis
Apresenta o dorso verde amarelado, com nódoas vermelhas na parte superior, faces negras, peito vermelho-acinzentado, ventre amarelo, asas verdes negras e brancas e cauda pardacenta com estrias transversais verde-azeitona.
Aparece em pomares enrelvados, vinhas, florestas em torno de pastagens, choupais, …
Grande predador de larvas do bichado-da- fruta (Cydia pomonella), da broca da macieira e pereira (Zeuzera pyrina) e das brocas-do-milho (Ostrinia nubilalis e Sesamia nonagrioides).
Manter árvores idosas.
Melro-preto
Turdus merula
O macho é inconfundível pela plumagem preto azeviche e o bico amarelo; a fêmea apresenta plumagem castanha. Tem cerca de 24cm.
Frequenta jardins, hortas, estufas e pomares de macieiras, pereiras, citrinos, avelaneiras e vinhas. Nas ilhas aparece em pomares de maracujaleiros e anoneiras, bem como em bananais.
Alimenta-se de saltões, gafanhotos, cigarrinhas, cochonilhas entre outros insetos e de caracóis e lesmas.
Manter sebes nas bordaduras dos campos agrícolas.
Manter árvores ou arbustos dispersos quando os campos têm grandes extensões.
Chapim-real
Chapim-azul
Parus major
Parus caeruleus
Pequenas aves de bico curto e muito ágeis.
O chapim-real possui cerca de 14cm e o chapim-azul cerca de 12cm.
Frequenta pomares de macieira, pereira ou cerejeira, vinhedos, olivais e quintais ou pequenas hortas. São das aves que melhor se instalam em ninhos artificiais.  
Consomem muitos pragas nocivas às culturas como: bichado-da-fruta, mineiras-de-folhas, pulgão-lanígero nas macieiras e traça-da-uva.  
Manter árvores com cavidades.
Instalação de ninhos artificiais.
Toutinegra-de-cabeça-negra
Sylvia melanocephala
Distingue-se  pelo seu capuz seu capuz preto azeviche com um anel orbital avermelhado.
Aparece em sebes com silvados, olivais, taludes, terrenos em pousio e bosques de baixa altura.
Atua como excelente predador de 3 grandes pragas da oliveira: cochonilha-negra, traça e mosca-da-azeitona. Mas alimenta-se também de outros insetos e de moluscos.
Manter sebes com silvas e sabugueiro.


Figura 2 – Pato-real, poupa e pica-pau-verde

Mas a aves, além de insetos e outros animais também necessitam de alimentos vegetais como bagas, frutos, grãos e locais de abrigo, refúgio, pernoita, poleiros de onde pesquisam as suas presas e sítios para nidificar.

É importante manter, recuperar ou instalar, as designadas infraestruturas ecológicas para as aves auxiliares.

E estas infraestruturas podem ser de diversos tipos (Fig. 3):
  • mosaicos de vegetação espontânea
  • sebes e cortinas de abrigo
  • árvores idosas com cavidades
  • árvores de grande porte
  • muros de pedra solta
  • faixas incultas
  • construções rurais
  • montes de lenha
  • presas, charcas e tanques
  • ninhos artificiais.

Figura 3 – Diversas infraestruturas ecológicas

Se tiver dúvidas quanto às pragas e doenças que atacam as suas culturas, para melhor poder adequar as aves à sua exploração, consulte a app para telemóveis OpenPD, que pode descarregar de forma gratuita em https://goo.gl/8Sl77J.


Fonte:
As bases da Agricultura Biológica; Tomo I – Produção Vegetal; Jorge Ferreira (Coordenador); Edibio, Edições Lda. (2009)

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