Limitação natural de pragas - como valorizar a atividade dos auxiliares?


Apesar de ser reconhecida a importância dos insectos auxiliares na limitação natural das pragas das culturas, nem sempre se tomam medidas que valorizem a sua acção.
Tradicionalmente, apenas se tem promovido a sua não destruição através de:
  • utilização de pesticidas menos tóxicos para estes organismos;
  • redução das doses e do número de aplicações dos pesticidas;
  • utilização de técnicas de aplicação mais seletivas.

Mas é necessário fazer-se mais!

Nesse sentido, devem ser incrementadas as populações de auxiliares através de: disponibilização de hospedeiros alternativos, alimento suplementar, abrigos e locais de hibernação adequados, …, para que estes organismos encontrem as condições necessárias à sua manutenção e reprodução.

O que é a biodiversidade funcional das explorações?
É a parte da biodiversidade que pode beneficiar diretamente a exploração.

Como se fomenta?
Esta biodiversidade pode ser fomentada através da manutenção ou instalação, nessas explorações, de uma rede de infra-estruturas ecológicas (principalmente comunidades vegetais) que tem um papel fundamental no desenvolvimento da fauna auxiliar e na sua eficaz atuação na limitação natural das pragas das culturas.

Quais os elementos básicos da rede de infra-estruturas ecológicas?
habitats permanentes – têm grande dimensão, por ex: prados e pastagens pouco intensivas, áreas florestadas, áreas ruderais, pomares e olivais tradicionais;

habitats temporários – têm menor dimensão, por ex: pequenos bosques ou manchas de arbustos e árvores, amontoados de pedra ou lenha e charcos;

corredores ecológicos – que favorecem a dispersão das espécies entre os habitats anteriores e incluem estruturas relativamente lineares, como por ex: sebes, faixas de vegetação espontânea, caminhos rurais e linhas de água.


Se houver uma maior abundância e diversidade de auxiliares, no espaço e no tempo, vamos ter ao longo do ciclo cultural, inimigos naturais de diferentes pragas, possibilitando uma mais rápida resposta sempre que se registem aumentos populacionais das últimas. 
Mas o que se pode fazer?
Tipo de infra-estrutura ecológica
Benefícios

Enrelvamento e cobertura vegetal do solo
Que pode ser feito na linha e entrelinha dos pomares, favorece a biodiversidade e a estabilidade do ecossistema; contribui para um melhor balanço hídrico. O seu crescimento deve ser gerido através de cortes efetuados ao longo do ano, por pastagem ou intervenção mecânica, de modo a atenuar a concorrência com a cultura


Faixas de flores silvestres
Constituem corredores ecológicos perenes, com espécies vegetais autóctones, que estabelecem ligação com as culturas arvenses, hortícolas ou pomares e onde se albergam numerosos insetos úteis. Devem ter no mínimo 3m de largura e ser mantidas durante pelo menos seis anos.

Considerando o enrelvamento e as coberturas do solo, sabia que:
  • as técnicas de corte e o tipo de alfaia utilizada têm impacto na quantidade de população de auxiliares, porque provocam a sua morte?
  • se recomenda que os cortes sejam feitos no mínimo 8cm acima do solo, mas preferencialmente entre 10-12cm?
  • usando uma gadanheira de barra horizontal, a mortalidade de percevejos predadores adultos é de 50%, mas se usarmos um destroçador de martelos (eixo horizontal) é de 88%?
  • se tivermos que escolher entre uma gadanheira de barra horizontal, uma capinadeira rotativa (eixo vertical) ou um destroçador de martelos (eixo horizontal) para efetuar um corte, é preferível a primeira alfaia, porque provoca menor mortalidade na fauna auxiliar?



Agora que já sabe um pouco mais, apoie a presença da fauna auxiliar nas suas culturas, promovendo boas práticas na agricultura.

E pode sempre pedir ajuda ao fórum da app OpenPD, após descarregar a mesma de forma gratuita na Google Play Store em https://goo.gl/FAJjRz. Ali vai encontrar um grupo de técnicos, agricultores e outros peritos, que o podem apoiar na identificação de pragas e doenças das plantas.


Fonte:
As Bases da Agricultura Biológica, Tomo I – Produção Vegetal; Ferreira, J. (coordenador); Edições Edibio (2009)

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